Vandria Borari
Vandria Borari (n. 1983) é artista ceramista, ativista e liderança indígena do povo Borari, originária da Terra Indígena Alter do Chão, na região do Baixo Tapajós, Amazônia brasileira. Sua prática artística está profundamente enraizada em sua cosmoidentidade, espiritualidade e na íntima relação com o território ancestral.
Por meio da cerâmica tapajônica ancestral, Vandria mantém vivos os saberes ancestrais do povo Borari. Utilizando tecnologias de modelagem e queima transmitidas oralmente por gerações, suas obras expressam a cosmologia indígena, revelando encantarias, seres do território e grafismos que guardam e revelam a espiritualidade viva dos povos do Tapajós. A argila local, os rios, as florestas, os animais e os encantados (espíritos protetores) são elementos centrais em sua criação, reafirmando a inseparabilidade entre arte, natureza e espiritualidade.
Cada obra é também um ato político de resistência cultural frente ao colonialismo e às múltiplas ameaças à Amazônia — como o desmatamento, a grilagem, o garimpo ilegal e os megaprojetos. A cerâmica torna-se, assim, uma ferramenta de denúncia, memória e reconstrução, contribuindo para a visibilidade da luta e da existência contínua dos povos originários.
Vandria é bacharel em Turismo (2008, IESPES) e em Direito (2019, UFOPA). É membra da Associação Indígena Kuxiimawara Borari do Território Alter do Chão e integrante do grupo musical de mulheres indígenas As Karuana, que canta em defesa das águas e das florestas. É idealizadora da Mostra Indígena do Tapajós — Mukameẽsawa Tapajowara Kitiwara (MUTAK) —, criada em 2016, que reúne artistas dos 13 povos do Baixo Tapajós. Também fundou o Centro de Arte Indígena Ukara Wasú, em Alter do Chão.
Premiações e Residências
• Prêmio Prince Claus Fund (2023)
• Residência artística CultureScape, Basileia, Suíça (2021)
• Residência ESPECULATIVEECOLOGIES, Manaus, Brasil (2022)
Exposições e Instalações
• OS OUTROS: Os rastros do colonialismo, Basileia, Suíça (2021) — instalação Sítio arqueológico: Resistência ancestral
• This is a Forest, Leeds, Inglaterra (2023) — instalação Yupirungáwa
• COP28 Health Pavilion, Dubai, Emirados Árabes Unidos (2023) — instalação Yupirungáwa, com curadoria de Invisible Flock e Organização Mundial da Saúde
• Centro Cultural João Fona, Santarém, Brasil (2025) — instalação Yupirungáwa
Currículo
